Frequentemente perguntam-me porque sou assim: fria, calculista e sexualmente muito activa, ou seja, e resumindo, uma vaca!
Após várias vezes sem conseguir esboçar uma resposta coerente e suficientemente digna do arrojo que me atribuem, decidi debruçar-me calmamente sobre o assunto de forma a fornecer uma explicação passível de acalmar essas mentes inquietas.
A primeira razão que o explica é quase um lugar comum, mas a verdade é que, séculos volvidos, continua a ser o cerne de todo o ressabiamento: a história amorosa passada. No fundo, um percurso amoroso em que se tentou, até à exaustão, concretizar esse ideal de um relacionamento longo, sério e estruturado está, na maioria das vezes, subjacente a esta dureza.
Uma mente mais avisada e experiente saberia que essa ideia romântica, mais cedo ou mais tarde, colapsaria, mas eu não o sabia e ia acreditando na mítica existência "do tal", que nos acompanhará "na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe".
Claro está que esse castelo acabaria por ruir e, dos destroços, emergiu a descrença, descrença que me faz pregar a falência dos relacionamentos, mas, ao mesmo tempo, me permitiu descobrir a beleza das relações descomprometidas, segunda razão que está na génese desta minha desapaixonada forma de vida.
Que há de melhor do que olhar o mundo livre de compromissos e poder conhecer e dar-me a conhecer sem quaisquer constrangimentos?! sinceramente, muito poucas coisas agora me parecem tão libertadoras quanto essa perspectiva. Não devo rigorosamente nada a ninguém e faço o que quero sim ter de me perder em grandes explicações.
A troca de olhares, os gestos, os sorrisos e palavras que se tentam adivinhar ... e o sexo, como não podia deixar de ser, é a pedra de toque: se há empatia, a companhia é boa e o sexo ainda é melhor, porquê complicar?!
Essa é a questão com que todos nos deparamos, à qual nunca conseguimos responder, sendo que, um dia, todos acabamos inevitavelmente por complicar ... mesmo eu que com desprendimento encaro o sexo, acabo por ter uma arca com o enchoval na esperança de um dia vir a ser "feliz para sempre".
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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