sexta-feira, 27 de junho de 2008

Fazer a Vidinha II

Em jeito de resposta à pertinente questão levantada atrás
O facto que alguns seres tomarem a precoce decisão de 'fazer a vida', tem duas implicações:

1. Não souberam divertir-se como deviam enquanto puderam, e consequentemente desaproveitaram aquele alegre período a que chamas 1/4 de século. Logo, se não souberam fazer as coisas como deve ser, assumiram que nada melhor os esperava enquanto solteiros/as que aquilo, e como tal avançam para o segundo passo em busca da felicidade eterna.

2. Embarcaram numa aventura da qual não fazem a mínima ideia quanto ao que os espera. Ora vejamos:
- Pensam viver o resto da vida com alguém, a mesma pessoa, sempre. Ter crias, ter uma casa, ter um carro (ou mais), um emprego estável e amigos.
Bem... a pessoa que fica com os felizes comprometidos, e eles, vão sentir inevitavelmente atracção por outro/a em algum momento, por mais breve e não concretizado que seja, o que é logo animador.
As crias até à magnífica idade dos 18 anos sofrem constantemente de berros agudos, crises de parvoíce, birras, arranjar quem os ature durante o dia, brinquedos, fraldas, papas, berros, fraldas, escola, mensalidades, desporto, berros, más companhias, etc.
A casa é uma dívida para o resto da vida, quanto maior a família, maior a casa, maior a dívida.
O carro desvaloriza, a gasolina está cara, o trânsito é muito, a paciência é pouca devido aos putos e à/ao companheira/o, e não há paciência para levar a sogra ao cemitério ao fim de semana.
Emprego estável é uma utopia. Mata-te a trabalhar e mesmo assim tens de rezar aos santos cristãos e a alguns deuses gregos para sustentar a companhia, crias, sogras e afins.
Amigos... Sim, claro. Sair com eles... Utopia. Vai procurá-los depois de teres a 'vidinha' feita...
- Regime fiscal menos vantajoso.
- 'Fazer sala' às/aos amigas/os que detestamos.
- Entre outros que não menciono para não me alargar demasiado...

E pergunta-se: então e o amor??
O amor encontra-se de qualquer forma, em qualquer momento, por acaso. Podemos achar que o temos, e ao cruzar uma esquina tropeçar num paralelo de rua deixado lá por algum traquina, cair, rebolar, empurrar alguém que cai também em cima de nós, dizer um impropério, levantar a cabeça, e encontrar o amor. Ah pois... então e o outro que está em casa à espera que levemos o estupor das natas...?

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